
A preparação em matéria de cibersegurança deve ser uma prioridade máxima para os proprietários e gestores de frotas no Reino Unido. A rápida transformação digital no setor dos transportes e da logística tornou as frotas alvos atraentes para os hackers. Conheça as tendências de cibersegurança que os operadores de frotas devem ter em conta e as estratégias que deve adotar para reduzir a sua vulnerabilidade a ataques.
O panorama da cibersegurança no setor dos transportes e da logística
O advento dos veículos conectados, o impulso à eletrificação das frotas, a integração de dispositivos da Internet das Coisas (IoT) e a dependência da automação ampliaram a superfície de ataque que os cibercriminosos oportunistas podem explorar para se infiltrarem na sua rede.
Sistemas de back-end telemáticos vulneráveis, atualizações de firmware sem fios inseguras e APIs com falhas são pontos de entrada comuns para autores de phishing, ladrões de dados, sabotadores empresariais e autores de ataques de ransomware. Os autores de ameaças também estão a recorrer cada vez mais à inteligência artificial para lançar esquemas fraudulentos mais convincentes.
Ser vítima de um ciberataque pode causar mais do que um tempo de inatividade prolongado e imprevisto. Um incidente de segurança de grande repercussão pode causar graves danos à reputação da sua organização e prejudicar os seus negócios a longo prazo.
Embora a sua apólice de seguro cibernético possa indemnizá-lo em milhões por perdas, o impacto financeiro pode levar à insolvência — tal como aconteceu com a KNP Logistics em junho de 2025. Um ataque do ransomware Akira agravou as dificuldades financeiras já existentes deste importante grupo de logística, obrigando-o a declarar insolvência e a despedir 730 funcionários.
Estratégias para reduzir o risco de cibersegurança da sua frota
Todas as empresas estão expostas ao risco de ciberataques, mas estas estratégias podem ajudar a tornar o seu software de gestão de frotas e os seus veículos menos vulneráveis.
1. Aproveitar a informação sobre ameaças
Uma plataforma robusta de inteligência sobre ameaças reforça a cibersegurança, uma vez que permite defender proativamente os seus ativos contra agentes maliciosos e minimizar as suas perdas caso sejam alvo de um ataque. Aqui estão as principais formas de utilizar a inteligência sobre ameaças para melhorar a sua postura de segurança:
Contextualizar as ameaças cibernéticas
A contextualização permite à sua equipa identificar os autores por trás de ataques específicos, compreender os seus motivos e capacidades, determinar o que pretendem da sua organização e compreender os seus métodos. O contexto transforma dados brutos sobre ameaças em informações úteis, permitindo-lhe tomar decisões informadas.
Acompanhamento de adversários novos e antigos
Os atacantes evoluem, pelo que conhecer a forma como agiram no passado não é suficiente para antecipar com precisão as suas ações futuras. Uma plataforma de inteligência de ameaças pode ajudá-lo a acompanhar os agentes maliciosos conhecidos e a familiarizar a sua equipa com aqueles que são relativamente desconhecidos. Algumas organizações utilizam tecnologias de simulação para atrair cibercriminosos e observá-los em ação num ambiente controlado.
Implementação de uma estratégia unificada
Uma solução de software capaz de se integrar nas ferramentas já existentes na sua empresa elimina os silos e permite que a informação sobre ameaças circule livremente entre as equipas. A colaboração interdepartamental é fundamental para implementar eficazmente uma estratégia de cibersegurança a nível de toda a organização.
Detetar ataques rapidamente
Uma plataforma de inteligência contra ameaças pode monitorizar a atividade da sua rede e detetar padrões de ataque com antecedência suficiente para notificar imediatamente o seu Centro de Operações de Segurança ou os profissionais de TI. A deteção precoce é fundamental para neutralizar as ameaças antes que estas se infiltrem profundamente no seu sistema e causem mais danos.
Automatização das defesas
A resposta a incidentes urgentes implica menos trabalho manual com uma plataforma de inteligência de ameaças. Esta solução de software permite coordenar tarefas essenciais para mitigar violações, permitindo que os seus profissionais internos de cibersegurança se concentrem em atividades em que a intervenção humana tem um impacto maior.
Cumprimento dos regulamentos e normas
Os quadros regulamentares e as normas de privacidade de dados estão a tornar-se cada vez mais rigorosos. Uma plataforma de inteligência de ameaças contribui para a conformidade, garantindo que a sua equipa trata os dados sensíveis de forma responsável e gera relatórios detalhados para documentar as suas melhores práticas.

2. Mudar para uma arquitetura de confiança zero
A abordagem «zero trust» minimiza a probabilidade de acesso não autorizado aos sistemas de gestão de frotas, verificando continuamente todos os utilizadores e dispositivos e aplicando um controlo de acesso centrado na identidade.
Esta abordagem reconhece que as ameaças podem provir do interior da organização. Partir do princípio de que cada pedido pode ser proveniente de um agente malicioso reflete o nível de vigilância que deve exercer para proteger as suas operações contra ataques sofisticados e ajudar a sua equipa a adaptar-se a ambientes complexos e dinâmicos que envolvem utilizadores remotos, dispositivos IoT e serviços na nuvem.
Após a verificação, o modelo «zero trust» concede aos utilizadores e dispositivos apenas o acesso necessário para realizar tarefas específicas. O princípio do privilégio mínimo permite uma contenção eficaz das ameaças caso um cibercriminoso consiga entrar no sistema.
3. Investir na literacia digital
De acordo com o Relatório sobre Ameaças Internas de 2024 da Cybersecurity Insiders, os ataques de ameaças internas registaram um aumento acentuado. Em outubro de 2024, 51 % dos 413 inquiridos das áreas de TI e cibersegurança afirmaram ter enfrentado pelo menos seis ataques ao longo do último ano. 29 % referiram ter gasto mais de 1 milhão de dólares em medidas de correção.
A adoção de novas tecnologias é um dos principais fatores por trás do aumento destes ciberataques. Investir na formação dos colaboradores é fundamental para evitar que os membros da equipa se tornem ameaças internas.
Forneça aos utilizadores-alvo recursos suficientes para se familiarizarem com as tecnologias. Saliente as formas como podem, inadvertidamente, divulgar informações confidenciais ou comprometer o sistema. Indique-lhes os sinais de alerta a ter em conta para identificar esquemas maliciosos e ensine-lhes formas seguras e responsáveis de lidar com os cibercriminosos.
4. Reforçar a segurança física
Uma segurança física rigorosa pode proteger os seus bens contra invasores digitais. Uma proteção física eficaz envolve frequentemente uma abordagem em camadas, que inclui vedação do perímetro, colocação estratégica de equipamento de vigilância e caixas de proteção invioláveis para os sistemas eletrónicos dos veículos. Além disso, limitar a visibilidade com portas opacas impede que os criminosos vejam bens valiosos, acrescentando assim uma camada adicional de proteção à sua segurança física.
A combinação de medidas de segurança físicas com soluções digitais pode limitar as ações dos hackers, mesmo que estes consigam assumir o controlo dos veículos da frota. Em 2022, um grupo de hacktivistas atacou o serviço russo de transporte privado Yandex Taxi e ordenou que centenas de veículos se reunissem no mesmo local, na zona oeste de Moscovo. Este incidente deve servir de alerta para a adoção de medidas destinadas a imobilizar os seus ativos, caso os criminosos assumam remotamente o controlo do volante.
5. Colaborar com os fornecedores
A solidez da sua empresa depende do elo mais fraco da sua cadeia de abastecimento. O impacto positivo de uma cibersegurança interna impenetrável diminui quando os fornecedores externos facilitam aos infratores o roubo dos seus dados a partir de outras fontes. Por exemplo, a integração temporária de equipamento alugado na sua frota pode comprometer a sua cibersegurança se a empresa de aluguer utilizar software desatualizado.
Trabalhar com parceiros da cadeia de abastecimento que sejam igualmente exigentes em matéria de cibersegurança reduz a sua exposição ao risco. A integração dos sistemas dos seus fornecedores na sua plataforma de inteligência contra ameaças garante uma melhor coordenação em caso de violações de dados. A colaboração estreita com partes externas essenciais promove a preparação em matéria de cibersegurança e ajuda todos a prepararem-se para potenciais ataques.
Tomar medidas eficazes para combater as ameaças à cibersegurança do país
Lidar com os autores de ameaças online é inevitável na gestão moderna de frotas. Dê prioridade a estratégias proativas para se antecipar aos hackers. Ao implementar uma defesa em várias camadas que combine tecnologia, formação dos colaboradores e parcerias estratégicas, poderá criar uma operação resiliente. Esta abordagem protege os seus ativos atuais e garante o futuro da sua empresa num mundo cada vez mais conectado.

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