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Tacógrafos inteligentes de segunda geração: o que os gestores de frotas precisam de saber

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O setor dos transportes rodoviários na Europa está a passar por uma mudança significativa com a introdução do tacógrafo inteligente de segunda geração (Smart Tachograph Version 2, ou G2V2). Estes novos dispositivos foram introduzidos no âmbito do Pacote de Mobilidade da UE com o objetivo de melhorar a segurança rodoviária, garantir uma concorrência leal e proteger os direitos dos condutores.

Para os gestores de frotas em toda a UE — e no Reino Unido, no caso dos que operam a nível internacional —, é fundamental compreender o que implica o novo tacógrafo inteligente v2, os prazos para a sua implementação e o impacto que terá nas operações diárias. Este artigo apresenta uma visão geral prática das funcionalidades do G2V2, dos prazos regulamentares e das implicações operacionais para as frotas.

O que é o tacógrafo inteligente de segunda geração?

O tacógrafo inteligente de segunda geração é um tacógrafo digital atualizado com funcionalidades melhoradas, concebido para reforçar o cumprimento das regras de condução e simplificar a fiscalização.

Com base nos primeiros tacógrafos inteligentes lançados em 2019, o novo tacógrafo inteligente inclui várias funcionalidades importantes:

Localização por GNSS com deteção automática de fronteiras: os dispositivos G2V2 utilizam o posicionamento por satélite (GNSS Galileo) para registar a posição de um veículo ao atravessar fronteiras nacionais. Isto contribui para o cumprimento das regras relativas à cabotagem e ao destacamento de condutores, fornecendo registos precisos do momento em que um camião entra num novo país.

Acesso remoto aos dados para fins de fiscalização: O novo tacógrafo permite que os agentes de fiscalização recuperem dados sem fios através da tecnologia DSRC (Dedicated Short-Range Communication). Os inspetores na estrada podem receber remotamente informações sobre o tempo de condução recente, a última paragem ou possíveis infrações à medida que um camião se aproxima. Essencialmente, os agentes de fiscalização podem aceder a dados essenciais do tacógrafo G2V2 sem terem de parar o veículo, o que facilita uma fiscalização mais inteligente e harmonizada das regras relativas às horas de condução.

Esta funcionalidade de «verificação à distância» permite às autoridades pré-selecionar veículos que possam necessitar de uma inspeção mais aprofundada, reduzindo as paragens desnecessárias para os condutores que cumprem as normas.

Integração com sistemas telemáticos (Interface ITS): O G2V2 inclui uma interface ITS obrigatória com conectividade Bluetooth para a troca segura de dados com sistemas de terceiros. Isto significa que as plataformas telemáticas de frotas podem emparelhar-se com o tacógrafo para aceder a dados, tais como a localização do veículo, a velocidade, a atividade do condutor e até mesmo eventos do veículo (por exemplo, utilização dos travões) em tempo real.

Para os gestores de frotas, esta integração oferece a possibilidade de obter fluxos de dados mais completos para a monitorização da conformidade e a gestão de percursos, ligando de forma integrada as informações do tacógrafo ao seu software de gestão de frotas já existente.

Registo de dados melhorado: Os novos tacógrafos G2V2 registam mais informações e mantêm-nas durante mais tempo. Os registos de atividade do condutor abrangem agora 56 dias, em vez de 28, alargando o período de controlo para efeitos de fiscalização e ajudando os operadores na conservação de dados e nas auditorias. Além disso, novos campos de dados proporcionam uma visão mais completa de cada viagem. Os dispositivos registam os locais de carga e descarga, indicam se o veículo transporta passageiros ou mercadorias e captam eventos de configuração e calibração com maior detalhe. Em conjunto, estas atualizações apoiam tanto a conformidade como o planeamento logístico. No entanto, os condutores necessitarão de formação para efetuar as novas entradas manuais relativas aos pontos de carga e descarga, uma vez que estas coordenadas são armazenadas para verificação posterior.

Maior proteção contra adulterações e preparação para o futuro: As unidades de segunda geração apresentam segurança reforçada para detetar e resistir a adulterações. Dispõem também de software atualizável para permitir melhorias futuras. Além disso, foram introduzidos novos cartões de condutor (cartões G2V2) com maior capacidade de memória para acomodar os dados adicionais. Não existe qualquer requisito legal imediato para que os condutores substituam os cartões de tacógrafo digital existentes, caso estes ainda sejam válidos, mas à medida que os cartões expiram, serão substituídos pelos cartões atualizados para utilizarem plenamente as funcionalidades G2V2.

Atualização regulamentar

A maioria dos prazos relativos aos tacógrafos já expirou. Todos os veículos pesados que operam a nível internacional na UE ou que entram a partir do Reino Unido são agora obrigados a ter instalado o tacógrafo inteligente de segunda geração (G2V2).

O único prazo que ainda resta é 1 de julho de 2026, data em que a regulamentação será alargada aos veículos comerciais ligeiros com peso entre 2,5 e 3,5 toneladas utilizados no transporte internacional. Tradicionalmente, as carrinhas estavam isentas das regras da UE relativas às horas de condução e ao tacógrafo, mas a partir de julho de 2026, os operadores que transportam mercadorias através das fronteiras terão de cumprir essas regras.

Esta alteração visa colmatar lacunas que existem há muito tempo e garantir que os condutores de veículos comerciais de menor porte cumpram as mesmas regras relativas aos períodos de descanso que os operadores de veículos pesados de mercadorias. Os gestores de frotas que operam frotas de carrinhas a nível pan-europeu devem começar já a planear as instalações, integrando a atualização nos ciclos de manutenção de rotina ou de renovação da frota, de modo a minimizar as perturbações.

Impacto nas frotas internacionais

Os gestores de frotas com operações internacionais devem ter em conta que o cumprimento destas atualizações do tacógrafo é agora um requisito obrigatório para o transporte rodoviário transfronteiriço na Europa. Se os seus camiões circulam entre países da UE — ou do Reino Unido para a UE —, a falta de instalação do tacógrafo adequado pode impedir a sua atividade na fronteira.

Aqui estão os pontos-chave sobre como as diferentes frotas são afetadas:

Frotas sediadas na UE (operações internacionais)

Conforme referido acima, a partir de agosto de 2025, qualquer veículo pesado de mercadorias que efetue viagens internacionais no interior da UE deverá estar equipado com um tacógrafo de segunda geração. Esta regra aplica-se independentemente do local da UE onde o camião esteja matriculado. O cumprimento da regulamentação é verificado durante controlos rodoviários ou nas fronteiras. Os veículos que não cumpram os requisitos podem ser retirados de circulação até à instalação de um tacógrafo adequado.

Operadores do Reino Unido que entram na UE

As frotas britânicas que realizam viagens internacionais com destino à UE ou no interior da UE estão sujeitas aos mesmos requisitos relativos ao tacógrafo, caso operem veículos de mercadorias. Isto deve-se ao facto de as regras estarem incorporadas no Tratado AETR, que rege o transporte rodoviário entre países europeus da UE e países europeus não pertencentes à UE. O Ministério dos Transportes do Reino Unido harmonizou a regulamentação nacional de modo a seguir o calendário da UE para as viagens internacionais.

Não efetuar a atualização não implica apenas uma multa – pode significar que o seu camião seja parado num posto de controlo e não consiga concluir a entrega. As autoridades de países como a França têm aplicado multas que podem chegar aos 30 000 € e até penas de prisão por infrações graves às normas relativas ao tacógrafo. Outros países, como a Alemanha, a Espanha e a Itália, têm as suas próprias sanções severas. Além disso, o incumprimento pode manchar a reputação de uma empresa.

Do lado positivo, as frotas que cumprem a regulamentação deverão beneficiar de uma fiscalização mais flexível. Os camiões equipados com dispositivos atualizados, por exemplo, poderão ser mandados parar com menos frequência, graças às verificações prévias à distância, permitindo que os condutores que cumprem a lei continuem a circular.

Efeitos no bem-estar dos condutores

Um dos principais objetivos da nova legislação relativa aos tacógrafos e do Pacote de Mobilidade da UE em geral é melhorar as condições de trabalho. Ao automatizar tarefas de registo, como as entradas nas fronteiras, e ao limitar a sobrecarregamento ilegal de horários, o sistema ajuda a garantir que os condutores tenham um descanso adequado. Espera-se que isto reduza os incidentes relacionados com a fadiga e torne a aplicação da lei mais justa, dando aos condutores a confiança de que os concorrentes estão a seguir as mesmas regras.

A fiscalização à distância também significa que os condutores que cumprem as regras enfrentam menos atrasos nas estradas, o que lhes permite concluir as viagens com menos stress.

Os condutores precisarão de alguma formação para se adaptarem. Embora os princípios básicos se mantenham os mesmos, as novas funcionalidades exigem a introdução manual dos locais de carga e descarga, bem como o consentimento para a partilha de dados com sistemas conectados. Compreender estas instruções – e saber como reagir em caso de falha – tornará a operação mais simples.

Do ponto de vista da frota, os dispositivos G2V2 armazenam o dobro de dados (56 dias), pelo que os ficheiros para transferência serão maiores e conterão mais registos históricos. As operadoras devem verificar se o software dos tacógrafos e os sistemas de armazenamento têm capacidade para lidar com este aumento de volume.

Por fim, com o Bluetooth e a conectividade online, a privacidade dos dados tornou-se um tema de debate. As autoridades responsáveis pela fiscalização podem aceder aos dados do tacógrafo para verificar o cumprimento da regulamentação, mas, quando se trata de partilhar esses dados com sistemas telemáticos ou de gestão, os condutores devem primeiro dar o seu consentimento. Os gestores de frotas devem garantir aos condutores que todos os dados são tratados de forma segura e utilizados apenas para fins legítimos e em conformidade com o RGPD.

Planear com antecedência

Os tacógrafos inteligentes de segunda geração abrangem todas as vertentes das operações da frota, desde a conformidade e o planeamento de percursos até ao bem-estar dos condutores. Adotar uma abordagem proativa irá ajudá-lo a manter a conformidade – e a tirar o máximo partido da nova tecnologia.

Mantenha-se informado. Acompanhe as atualizações da Direção-Geral da Mobilidade e dos Transportes da Comissão Europeia, bem como dos organismos do setor. A regulamentação pode ser complexa, mas os resumos oficiais e as perguntas frequentes são um bom ponto de partida.

Dê formação às suas equipas. Organize reuniões informativas ou sessões de reciclagem para motoristas e gestores de transportes, com foco em novas funcionalidades, como a fiscalização à distância e as entradas manuais.

Otimize os seus percursos. Os dados em tempo real podem ajudá-lo a monitorizar as horas de condução restantes, ajustar os planos de expedição e identificar percursos que frequentemente se aproximam dos limites.

Crie uma cultura de conformidade. Incentive as suas equipas a encarar a conformidade com o tacógrafo como parte integrante de uma boa gestão da frota, e não apenas como uma obrigação regulamentar. Reconheça marcos importantes, como a ausência total de infrações, invista na formação dos condutores e certifique-se de que todos compreendem como a precisão dos dados contribui para a segurança e a eficiência.

A implementação do G2V2 traz desafios, mas também vantagens evidentes: uma aplicação mais rigorosa da legislação, melhores dados e condições de trabalho mais justas para os condutores. Para as frotas que abraçam esta mudança, a recompensa traduz-se em operações mais fluidas, maior segurança e um futuro mais conectado e em conformidade nas estradas europeias.

Na SNAP, estamos a apoiar frotas em todo o continente nesta nova fase da transformação digital. Através da aplicação intruck, os motoristas podem reservar antecipadamente lugares de estacionamento seguros ao longo dos seus percursos – enquanto o Portal SNAP permite aos gestores de frotas planear e reservar paragens de descanso com antecedência, garantindo o cumprimento das normas e protegendo o bem-estar dos motoristas. Inscreva-se hoje mesmo.

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